29/03/2014


O ILUMINADO


Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão. Muito trabalho sem diversão faz do Dogman um bobão.

 

Escrito por Alessandro às 18h19
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19/03/2014


TRÊSCRÔNICASCOLADAS


De manhã cedo, o beijo no rosto. "Tá na hora, meu nego... vai trabalhar, vai." Irene sai apressada e negro Inácio vira-se na cama, cheio de amor no coração. Ainda dá uma afofada no travesseiro antes de voltar a dormir. Lá fora, ela desliza suave morro abaixo. Cadeiras pra lá, cadeiras pra cá, sorrindo aos que só vão descer a ladeira mais tarde. "Bom dia, dona Carminha!" "Bom dia, Irene! Como é que vai o Inácio?" Logo adiante: "Sai pra lá, menino traquinas!" "Desculpa, dona Irene, foi sem querer..." E segue seu caminho de todos os dias. A primeira a sair, a última a chegar, com a disposição e a beleza que Deus lhe deu. Os dentes abre-alas muito brancos. No pé do morro, a avenida. Irene toma o ônibus. Quarenta minutos de viagem até a casa do prefeito. Eita, negra importante: dona da cozinha e a quem os dois filhos de madame Elvira, a primeira-dama, chamam de mãe. Estaciona o lotação. "Vai saltar, seu cobrador, vai saltar!" Desembarca Irene, meiga. Distraída em manhã de sol. A cabeça no meio-fio.

Foi abordado por uma cigana na principal praça da cidade. Com carregado sotaque paraguaio, exalando discreto bafo de cachaça, a mulher pediu-lhe uma nota de dez reais, justificando que em papel-moeda a sorte se apresentava mais claramente, e que ela não ficaria com o dinheiro, apenas o usaria como instrumento de trabalho. Em grave crise profissional e amorosa, ele abriu a carteira e ofereceu uma cédula para o sacrifício. A velha zíngara respirou fundo, puxou todo o ar que conseguiu e, num frêmito expectorante, rosnando alto, cuspiu na nota novinha, recentemente saída do caixa eletrônico. Com a ponta dos dedos, remexeu o catarro disforme e volumoso, até desenhar uma rosa-dos-ventos. Durante cinco minutos, a enrugada vidente falou do passado e do futuro de seu cliente, sem que ele prestasse atenção a nenhuma palavra, devido a um embrulho no estômago, seguido de leve tontura. Chegado o fim da consulta, a escatológica senhora lhe devolveu o dinheiro, como havia prometido. Ele segurou a nota – agora úmida e fedorenta – por uma das pontas e seguiu atordoado, cambaleando rumo ao interior da praça. Longe, pouco antes de vomitar no canteiro de amores-perfeitos, ainda pode ouvir a voz esganiçada da matusalênica cigana, que dizia impropérios e lhe rogava pragas num idioma muito suspeito.

Chico Peixeiro, pacato cidadão de Miracema do Norte, gastara com gosto todo o décimo terceiro salário no único meretrício do município. Tarde da noite, bêbado feito um guaxinim e jogando futebol com uma bola imaginária, acabou dando uma topada no paralelepípedo da calçada de casa. "Caralho!" "Hehe, bem feito!", tirou sarro a patroa, empunhando um rolo de macarrão. "Vai-te à merda, coisa medonha!" Chico estava puto com uma sua teúda e manteúda, que trocara o segredo da fechadura da palhoça onde se encontravam, além de tê-lo trocado por um conhecido caminhoneiro chamado Arlindo Orlando. "Quem manda eu me meter com fã de música baiana", pensou alto. Quando ia entrando pelo portão, já imaginando a cama quentinha, foi surpreendido pela esposa com uma crauletada no meio da testa. Caiu por cima das flores do jardim, as mesmas que plantaram juntos logo depois da lua de mel. O sangue espirrou até em suas alpargatas novinhas. Não muito longe dali, os agentes Carmichael e Inojoza nada notaram.

 

Escrito por Alessandro às 03h03
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11/03/2014


CINQUENTA POR CENTO


Envelhecia só do lado esquerdo. Começara a notar no seu aniversário de trinta e três anos, há algumas semanas. Primeiro foram as rugas nas costas da mão e, em seguida, a artrite reumatoide, que passara a entortar as articulações de seus dedos. Avaliando-se em frente ao espelho, percebia claramente a flacidez da pele do braço esquerdo, que balançava por qualquer mínimo movimento, enquanto a do direito permanecia firme e tonificada. Com os dedos destros, lisos e macios, tocava o plano sagital oposto, e arrepiava-se ao sentir o contraste de texturas.

Os cabelos embranqueceram em um único hemisfério de sua cabeça. O olho esquerdo agora estava caído, emoldurado por pés de galinha, e a vista tornara-se turva. Abusou da visão do outro olho até onde pode, pouco antes de adquirir um monóculo. Uma orelha crescera mais do que a outra e tinha também mais pelos. O peitoral ficara mais baixo, a cintura apresentava mais dobras e a perna canhota afinara, quase como uma atrofia, apesar de ambas as coxas e panturrilhas receberem a mesma carga de exercícios na academia do condomínio.

Sentia que o ar penetrava com menos dificuldade pela narina direita. A chiadeira, no entanto, vinha do pulmão esquerdo. Já não mastigava daquele lado da boca, pois seus dentes amoleceram. E havia o desconforto na planta do pé, com a qual não podia pisar sem contorcer-se de dor. Somente o pau não envelhecera. Não é segredo que o órgão genital masculino não sofre com a idade, que permanece com a mesma aparência desde a juventude. Em contrapartida, suas ereções eram breves, porque apenas metade do sangue alcançava o corpo cavernoso.


Ambivalent Indignation (Rieko Fujinami, 2012)

Nas ocasiões em que era imprescindível sair, usava calça, manga comprida e boné. Valeu-se de uma licença-prêmio para não precisar voltar tão cedo à repartição pública onde trabalhava. Quando a situação lhe pareceu insustentável, consultou um geriatra, que confessou jamais ter visto caso semelhante. Nos exames de urgência: um coração fraco, um rim comprometido, parte do fígado deteriorada, o joelho esquerdo desgastado e a surdez em um ouvido. Destro, usou a mão boa para cumprimentar o médico e nunca mais contestar seu destino.

Até que morreu. Metade dele morreu. Tinha um lado do corpo absolutamente inerte e outro cheio de viço. Acostumou-se a olhar no espelho e apegar-se somente ao brilho no olho direito, à boa audição, aos cabelos muito escuros, aos músculos do braço, do peito e da coxa que sobraram. Podia controlar a fala e o raciocínio lógico, o que lhe parecia suficiente, ainda que a memória falhasse com frequência. A cada espasmo de consciência, lamentava não ter vivido plenamente enquanto podia. Dali em diante, apesar de tudo, sabia que nada seria diferente.

 

Escrito por Alessandro às 12h48
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08/03/2014


MACHOS DE RESPEITO


Eu tenho sentido falta de homem ultimamente. Não daquela coisa peluda, ignorante, egocêntrica, quadrada e malvestida da qual as mulheres gostam normalmente, mas de um brother, de um chapa, de um camarada, de um amigo do peito.

É que mulher demais às vezes enjoa. Mãe, irmã, namorada, faxineira, secretária, avó, tia, vizinha, prima, caixa de supermercado, atendente de lotérica, professora, aluna, gostosa do prédio da frente: é estrogênio demais na vida de um homem.

Mesmo não sendo gay e tendo pavor, desde pequeno, de dar mais que um aperto de mão em alguém do mesmo sexo, sinto uma necessidade absurda (não por muito tempo, é verdade) de discutir futebol, de falar palavrão, de menosprezar as loiras, de arrotar no meio de uma frase, de ouvir uma piada suja, de gargalhar até chorar, de jogar sinuca, de emprestar Playboy, de jurar que a filha do chefe está no papo.

De vez em quando eu gosto de homem porque homem não põe a culpa de tudo no ciclo menstrual (nem na barba por fazer ou na cueca surrada). Homem não tem ciúme de fatos passados nem, muito menos, de fatos futuros; não se importa se você come fritura todo dia ou se bebe até cair; não responde com um tratado a uma pergunta que só precisaria de um "beleza" ou de um "é isso aí" para encerrar o assunto.

Mulher é bom, muito bom, claro, eu adoro as fêmeas de forma geral. Tanto que, quando dedico muito tempo a uma única mulher, fico com a incômoda sensação de estar traindo todas as outras. Mas é que discutir a relação cansa, greve de sexo cansa, levar o casaco cansa, escutar Lenine e Jorge Vercillo cansa, mijar sentado cansa.

Por isso, eventualmente, eu saio por aí atrás de homem, sem nenhum pudor, apenas para me certificar de que o mundo ainda é simples e de que as coisas sempre ficam mais complicadas sob a ótica feminina.

Depois passo na floricultura, decoro um poema e ainda chego em casa bem na hora de ajudar o amor da minha vida (que é do sexo oposto) a abrir o vidro de palmito, entre o final da novela e o paredão de mais um reality show.


Em: "Das Coisas Simples da Vida" (Giostri, 2014)

 

Escrito por Alessandro às 16h53
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02/03/2014


FOLIA & CINZAS


Eu não gosto de Carnaval. Que me perdoem aqueles que gostam, mas uma festa popular que reúne gente bêbada e alegre demais – onde ninguém é de ninguém, como numa caixa cheia de hamsters –, cujo único legado é o aumento da taxa de natalidade no mês de novembro do mesmo ano, na verdade, me deixa até um pouco deprimido. Pelo menos o feriado é longo! E acabada a folia, da quarta-feira de cinzas em diante, surgem ótimas histórias para se contar ou para se esquecer, dependendo de qual lado da trama cada personagem atuou. Eu, obviamente, nunca faço parte de enredo nenhum, pois desfilo sempre no mesmo bloco, o Acadêmicos do Ortobom.

Falando em histórias do reinado de Momo, lembrei de uma boa: um conhecido meu de infância, atualmente dono de bistrô, um marmanjão alto, gordo e peludo, cismou de sair vestido de odalisca, numa fantasia toda feita de papel crepom rosa-choque. Sábado à tarde, no entorno da Praça XV de Novembro, caiu uma chuva que derreteu a roupa inteirinha, deixando o jovem culinarista só de sunga, todo magenta do pescoço para baixo, feito língua de criança manchada com corante de chiclete.

Tem também o caso da mocinha que, mesmo odiando Carnaval, aceitou ir com as amigas ao baile do Clube 12 de Agosto. Dormiu confortavelmente, das duas da madrugada até as seis da manhã, no sofá capitonado do banheiro feminino. Essa mesma dublê de foliã, um pitéu aos 18 anos de idade – hoje psicóloga de renome, ainda um mulherão –, desferiu um chute nas partes peripopéticas de um Batman que lhe passara a mão nas nádegas. Ficou lá o super-herói, estatelado no salão, gemendo em falsete.

Mas a melhor das passagens ocorridas durante essa patuscada pagã de que tenho notícia é a da filha da dona Glorinha, a Maria de Lurdes, que juntou todas as economias e foi para o Rio de Janeiro, no meio do verão, fazer um curso de esteticista. Dias depois, antes de completar uma semana de estada na cidade maravilhosa, ligou a cobrar para Florianópolis e avisou à mãe que ia ser destaque no abre-alas da Unidos da União do Império Imperial, uma escola de samba do grupo de acesso.

A dona Glorinha, viúva havia doze anos, religiosa, muito querida na vizinhança, espalhou a notícia por todo o bairro e, numa noite de sexta-feira, reuniu mais de 40 pessoas, entre amigos, parentes e curiosos, para acompanhar o desfile pela TV. Em pleno Sambódromo, no alto do primeiro carro, surgiu a Lurdinha, filmada de vários ângulos por oito câmeras diferentes, com nome e sobrenome estampados na legenda e lidos em voz alta pelo locutor da emissora, totalmente nua, peladinha da silva, coberta apenas de purpurina e uma gota de contratipo do Channel nº 5. Na sala lotada, ninguém ousou abrir a boca, muito menos a dona Glorinha. O infarto foi fulminante.

 

Escrito por Alessandro às 00h08
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Perfil



Escritor e filósofo
contemporâneo.

dogman@uol.com.br

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